sábado, 19 de março de 2011

Meu lindo [ir]responsável.


Abri a porta ansiosa por ver os dois amores da minha vida, fazia dois dias que não os via e para mim pareciam anos. Tom havia levado Peter para acampar, eu não pude ir junto pois tinha um teste na faculdade. Estava no ultimo semestre e não podia faltar. Estava ansiosa por me formar logo já que tive que trancar a faculdade por um tempo quando descobri que estava grávida de Peter, que agora estava com três anos. Lindo com os seus grandes olhos com uma cor indefinida entre o castanho e cor de mel, e seus cabelos pretos assim como os de Tom.
Coloquei minha bolsa no sofá e as chaves em cima da mesinha de centro estranhando o silêncio da casa, eles já deviam ter chegado não? Pensei comigo mesma.
- Tom? ... Peter? – chamei indo em direção ao quarto de Peter, aonde eles deveriam estar.
Abri a porta e eles não estavam ali, estava tudo do modo que deixei, eles ainda não tinham chegado. Suspirei, céus como eu sentia saudades. Sentei-me na poltrona ao lado da cama do meu filho. Meu filho, repeti mentalmente. No começo isso parecia tão surreal: Tom, gravidez, responsabilidade, família, mãe.
Lembro-me de quando descobri que estava grávida, fiquei desesperada, tinha medo de Tom me deixar sozinha, de ele não querer o bebê. Mas não esperava a reação que ele teve. Tom simplesmente me abraçou e disse “hoje você me fez o homem mais feliz do mundo”. Não, eu realmente não esperava aquilo, afinal éramos jovens, estávamos na faculdade ainda, Tom cursando o ultimo ano de biologia e eu no primeiro de psicologia.
Todos falavam que Tom não seria um bom pai, que era irresponsável e que não era um bom exemplo para um filho. Sim, tudo isso era verdade, ele era irresponsável, com tudo. Não ligava muito para nada, e só fazia a faculdade por que seu pai o obrigava a fazer. Suas tatuagens não ajudavam muito quando o ar de “responsável” tinha que aparecer, mas eu não ligava, sabia quem ele era por dentro, e sabia que apesar de que os outros pensavam, ele seria sim um bom pai.
Sorri e meus olhos caíram sobre a cômoda de Peter onde tinha alguns portas-retratos. Sorri ainda mais e fui até lá pegando um dos porta-retratos em minha mão. Era a minha foto preferida. Peter tinha três meses na época e naquela noite em comum estava agitado, eu já tinha tentado de tudo para acalmá-lo, mas ele simplesmente não dormia. Tom acordou com o choro inquieto de Peter, veio até mim pegando-o no colo e me pediu um café, falou que cuidava dele. Fui até a cozinha, ligando a cafeteira para preparar o seu café e depois de uns minutos não ouvi mais o choro do bebê.
Fiquei espantada, como ele tinha conseguido aquilo? Já fazia mais de uma hora que eu tentava acalma-lo e em minutos que Tom pega Peter e ele fica quieto? Coloquei um pouco de café na xícara e voltei ao quarto já curiosa para ver o que ele tinha feito, mas ao entrar no quarto fiquei boba com a cena que vi: Peter deitado em nossa cama, dormindo, calmo e Tom com um braço em sua volta também dormindo, não resisti a cena, e de tão linda que era linda tive que registrar.
Ri voltando ao presente, Tom era maravilhoso e não podia pensar em uma pessoa melhor para ser o pai do meu filho.
Ouvi o barulho da porta e ri ao ouvir o tagarelar do meu pequeno.
- Lizzy? – ouvi Tom chamar ao mesmo que Peter dizia:
- Mamãe, mamãe, cadê você?
- No quarto. – gritei e no mesmo instante a porta abriu e entrou o meu pedaço de gente, correndo até mim.
- Oi mãe, senti sua falta. – ele disse pulando em meus braços, pra um abraço apertado.
- Eu também meu amor, como foi hein? Você se comportou? Seu pai te deu comida? – Disse e ouvi a risada de Tom que nos olhava, parado na porta.
- Sim, mamãe, o papai me deu comida, e eu tenho um presente pra você, ta na minha mochila, eu vou lá pegar. – ele falou já passando por Tom e correndo de volta até a sala.
Olhei para Tom sorrindo, como eu tinha sentindo a falta dele.
- Hey amor, tudo bem? – ele disse vindo até mim e me beijando docemente, logo depois me dando um abraço apertado.
- Sim, e você baby? – falei sentindo o seu cheiro.
- Ótimo, senti sua falta. – ele disse olhando em meus olhos.
Quando eu ia responder, Peter entrou novamente no quarto com um papel nas mãos parando bem em minha frente.
- Olha mãe, fiz pra você. – sentei em sua cama com Tom ao meu lado, pegando o papel de suas mãos. Olhei. Era um desenho de nós três, no parque, sentados na grama.
- Eu fiz sozinho mamãe. – disse sentando no colo de Tom.
- Sozinho? Hey cara, quem desenhou a grama hein? – Tom disse fingindo estar indignado. Olhei para o que Tom dizia ser a grama, era somente uns rabiscos pintados de verde. Ri e disse:
- Tom, você fez isso? – e Peter respondeu, logo:
- Não mamãe, eu fiz tudo sozinho. – No mesmo instante Tom estava em cima de Peter fazendo cócegas e dizendo.
- Esse é seu castigo garoto por menosprezar a minha grama.
Peter ria sem parar, tentando fugir de Tom.
Olhei para os dois, e me senti realizada e feliz, vendo aquela cena, aquele amor. Gargalhei também, vendo as caretas que Tom fazia enquanto continuava com as cócegas e Peter rindo, quase sem fôlego. Desviei os olhos dos dois por um instante e olhei para a foto de quando Peter era bebê novamente, sorri ainda mais feliz e pensei: sim Tom era um excelente pai.


60º Edição Visual - Bloinquês
Nota: 9,9 

Um comentário:

  1. Belissimo Post.. linda história!
    gostei também do nome do seu Blog!
    muito show! parabéns

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